Não posso dizer que as últimas edições dos maiores telejornais do país tenham-me desapontado. Apesar de saber da indelicadeza e falta de ética das quais a Rede Globo e a Rede Record usaram para trocarem acusações, não posso deixar de curtir a queima do circo, literalmente, no nosso país.A Rede Globo, com toda a sua aura de defensora da moralidade, não perdeu a chance de dar um cutucão na principal, ainda que distante, concorrente ao noticiar com destaque a investigação que ronda a Igreja Universal. Tudo bem que os Procuradores só estão mostrando o que todo mundo já sabia, que o dinheiro do dízimo não ia bem para as obras sociais, mas o peso dessas acusações é outro quando veiculadas no Jornal Nacional.
Edir Macedo, digo, a Record, não perdeu tempo e, em sua defesa, resgatou todo o passado sujo da Globo. Certas contradições são muito curiosas... Uma delas é que uma grande corporação televisiva que passou muito tempo lambendo as botas da ditadura e tentando influenciar o resultado de eleições queira atacar a outra que, não de modo mais lícito, ganhou a dimensão atual à sombra da Igreja Universal.
O fato é que ainda houve espaço para uma propaganda ufanista das maravilhas da IURD, mostrando projetos sociais, templos e - pasmem! - um jatinho dito essencial para os pastores. O que mais me incomoda nisso tudo é que tem gente que realmente acredita e tira o pouco que tem para dar a um milionário aproveitador. Religião é um assunto complicado e um negócio também.
À sociedade civil, resta acompanhar o desenrolar da novela e ver os podres das duas gigantes do pão e circo em horário nobre. Espero que sirva para que o povo brasileiro desligue a televisão por um bom tempo, pelo menos enquanto dura sua (curta) memória.

