Fui, na semana Santa, visitar uns tios que moram no Maranhão. Embora não tivesse ouvido falar bem do estado, gostei muito. Assim como as de Alcântara, as ruas do centro histórico de São Luiz transpiram história e beleza, o que serviu para aumentar minha indignação com o que foi feito do lugar.Indignação de ver casarões, alguns com mais de 200 anos, abandonados. Tombados, mas sem conservação alguma. Azulejos arrancados, plantas tomando conta das casas e, nas habitadas, moradias miseráveis são cenas comuns quando se passeiam pelas ruas de calçamento do centro da capital. Em meio a esse mar de descaso, há um antigo convento bem arrumado. Explica-se logo: o prédio abriga o Memorial de José Sarney.
A impressão que se tem é a de estar em uma terra sem dono. Aliás, com um só: uma certa família. Precisa explicitar qual? É o velho costume de governar o bem público como se fosse privado, sacrificando, se preciso for, uma população, a história e o desenvolvimento de um estado, porque prestar esse desserviço em 40 anos é perfeitamente possível.
Por fim, há uma música em um supermercado maranhense que diz que o local é bom demais. Eu o modificaria afirmando que há tempo de torná-lo muito bom. Não eleger os Sarney - nem deixá-los tomar o poder a força, como fizeram no último pleito - já é um grande primeiro passo.