E, se somos mesmo feitos pra acabar, não sei mais o que nos resta fora amar e procurar a justiça, para deixar um legado interessante à posteridade.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Pra acabar
Curioso como, de vez em quando, sinto muito da fragilidade e da rapidez da vida. Ontem foi um desses dias. Era aniversário da minha irmã, ao mesmo tempo que senti outros entes perto de ir, como se a hora estivesse por chegar. Uma sensação inédita, pois tenho vaguíssimas lembranças dos que se foram enquanto eu era criança. Acabamos conversando sobre isso, e a conversa versou sobre o prolongamento de uma existência sem sem mais lucidez, sobre a negação da morte e a dificuldade que temos de aceitá-la. Embora ninguém queira ouvir quando está na pele de quem perdeu um querido, o descanso também é necessário. Com os avanços tecnológicos, a chance de adiar o inevitável aumentou, mas é preciso questionar, também, até que ponto resistir como vegetal é interessante e humano. E a conclusão que cheguei é a de que o tempo passa, de que estamos mesmo envelhecendo, como disse ao meu querido intelocutor.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
A culpa é do Fidel (?)
Fazia tempo que pensava em algo pelo que valesse a pena parar um pouco para escrever, mas ainda não tinha encontrado. Eis que abro a internet há pouco tempo e encontro a notícia de que Fidel Castro afirmou que o modelo de Cuba não serve mais nem pra eles. Seria mentira negar a surpresa e o pesar com que li a manchete.
Ao ler a matéria, no entanto, as coisas ficam mais claras. O que não funciona mais é essa burocratização toda, a repressão, e os favorecimentos que, inevitavelmente, aparecem. Creio que a questão não seja ideologia, mas a forma como foi aplicada, uma vez que o comunismo, como prática, não aconteceu de fato. As tentativas de estabelecê-lo acabaram degeneradas, como na União Soviética stalinista, ou sufocadas, como o exemplo da pequena ilha americana. Apesar dos erros, inegáveis são os avanços na educação e na saúde - áreas interligadíssimas - dos cubanos desde a Revolução.
O que é imprescindível, agora, é encontrar novas formas de colocar em prática as idéias de justiça e de igualdade exaltadas em 59, sem esquecer das palavras do Che - que dizia que todo revolucionário era um apaixonado -, porque, sem amor, cai tudo no vazio.
Leia aqui o comentário do Comandante sobre as declarações.
Ao ler a matéria, no entanto, as coisas ficam mais claras. O que não funciona mais é essa burocratização toda, a repressão, e os favorecimentos que, inevitavelmente, aparecem. Creio que a questão não seja ideologia, mas a forma como foi aplicada, uma vez que o comunismo, como prática, não aconteceu de fato. As tentativas de estabelecê-lo acabaram degeneradas, como na União Soviética stalinista, ou sufocadas, como o exemplo da pequena ilha americana. Apesar dos erros, inegáveis são os avanços na educação e na saúde - áreas interligadíssimas - dos cubanos desde a Revolução.
O que é imprescindível, agora, é encontrar novas formas de colocar em prática as idéias de justiça e de igualdade exaltadas em 59, sem esquecer das palavras do Che - que dizia que todo revolucionário era um apaixonado -, porque, sem amor, cai tudo no vazio.
Leia aqui o comentário do Comandante sobre as declarações.
sábado, 14 de agosto de 2010
Do racismo
Fiquei atônita ao ler a notícia sobre a nova manifestação a ocorrer nos EUA. Que a sociedade estadunidense é extremamente conservadora não é novidade. Mas daí a um ato com inspiração nazista, é demais. Parece que a idéia é jogar no lixo os avanços conseguidos na década de 60, esquecendo o quanto custou, tanto em desgaste, quanto em vidas, já que as organizações como a Ku Klux Klan nunca deram muito sossego aos seus perseguidos.
Fico impressionada com a tranquilidade com que se defende a "América para os americanos", e só para os brancos, incriminando todos os outros, tanto estadunidenses mestiços quanto imigrantes. Os resultados da última vez em que se pregou uma raça superior e pura não foram muito bons, e o que era encarado como herança maldita - Hitler e toda a simbologia nazista - está começando a ser visto sem receio. Pelo menos, a quem convém.
Um exemplo do quanto ainda estamos suscetíveis a mais atrocidades e nem sabemos:
Fico impressionada com a tranquilidade com que se defende a "América para os americanos", e só para os brancos, incriminando todos os outros, tanto estadunidenses mestiços quanto imigrantes. Os resultados da última vez em que se pregou uma raça superior e pura não foram muito bons, e o que era encarado como herança maldita - Hitler e toda a simbologia nazista - está começando a ser visto sem receio. Pelo menos, a quem convém.
Um exemplo do quanto ainda estamos suscetíveis a mais atrocidades e nem sabemos:
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Dizem que ela existe pra proteger
Depois de quase duas semanas viajando, estava meio por fora do mundo. Imagine, então, minha surpresa ao ler o jornal e encontrar uma baita reportagem por causa de um garoto de 14 anos morto por um policial do Ronda do Quarteirão, um dos grandes projetos do Governador Cid Gomes. Ironicamente, o slogan do programa é "a polícia da boa vizinhança".
A indignação vai perpassando a narração dos fatos. O menino estava ajudando o pai no trabalho, e foi morto por ser considerado suspeito e não ter parado quando o guarda ordenou que parasse. O pai, que conduzia a moto, disse que apenas não ouviu a ordem. O policial, no entanto, não quis saber. Atirou e depois perguntou, uma ação não muito incomum quando se trata de suspeitos pobres, ainda mais quando eles são potenciais ameaças à uma área nobre, como o bairro no qual aconteceu o assassinato.
As posições assumidas são diversas. Enquanto o Governador diz ter sido um erro pessoal e que não mancha a imagem da corporação, a Prefeita de Fortaleza defende o desarmamento da Guarda Municipal e criticou o despreparo policial. Fala-se muito, nos últimos tempos, em proteção e em ficar refém dos bandidos, criando um clima de vale tudo e de salve-se quem puder. Ao invés de investir na base, ou seja, na educação, canalizam-se os investimentos para a segurança, especialmente a bélica, como se repressão fosse a solução. Ela até pode intimidar - ainda que de forma sutil -, mas a cada vida perdida por causa dela, tem-se mais certeza de que não é o caminho.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Lugar de mulher
As inúmeras informações sobre o caso do assassinato da amante do goleiro Bruno me enojaram como há muito tempo não acontecia. Não apenas pela brutalidade do acontecido, mas pelas declarações feitas anteriormente pelo próprio jogador, que julga ser aceitável, e até usual, bater em mulheres, escancarando muito do machismo que ainda sobrevive no Brasil.
Há uma coisa que me inquieta muito ao ver toda essa exploração em cima da história: o fato de muitas outras mulheres sofrerem abusos cotidianamente e tudo ser encarado como ordem natural das coisas, sem espanto nenhum. A Lei Maria da Penha está aí, as delegacias especiais, também, mas os crimes continuam sem punição. Parece até que a culpa de ser abusada é da própria mulher, principalmente, em localidades mais interioranas, nas quais o patriarcalismo ainda é bem forte.
Fico preocupada com o quanto essas questões, mais sérias que o caso em si - já transformado em show de horror e de espetacularização pela mídia -, são deixadas de lado, como se não influenciassem ou não existissem. Já ouvi quem dissesse até que a moça era prostituta, buscando uma justificativa para o crime. O pior é que falar em Direitos Humanos quando ainda nos encontramos em um estágio animalesco chega a ser inusitado.
domingo, 27 de junho de 2010
Ler devia ser proibido
Peguei-me pensando, ultimamente, em algumas coisas que tiveram um papel fundamental na formação do meu caráter e das minhas convicções, e, sem dúvida alguma, a leitura foi uma parte imprescindível. Claro que os livrinhos que lhe introduzem ao mundo das letras são importantes, mas falo do que realmente dá suporte ao pensamento, do que, de fato, como diz Mário Quintana, muda as pessoas, e as ajuda a mudar o mundo.
Já escutei, em pleno século XXI, pessoas dizendo que "quem lê demais fica meio doido, ateu, subversivo, perigoso". Então, que sejamos realmente perigosos, independentemente do credo ou da sanidade mental, porque, se for pra transformar esse mundo, tem que ser subvertendo.
"E tão bela é a manhã da liberdade que vale a pena morrer por ela, dar a vida pela certeza de que ela vem, que chegará para os homens. Mas, ah!, amiga, morrer é fácil, seja por uma mulher, seja pela liberdade! Difícil é viver uma vida se sofrimento e de luta, sem desanimar e sem desistir, sem se vender, sem se curvar. Mais que a morte, a liberdade pede a vida de cada um, todos os seus momentos, todas as suas forças."
Jorge Amado - Trecho de "O Cavaleiro da Esperança"
terça-feira, 15 de junho de 2010
O dia em que o Brasil parou
Voltando ao que me fez abrir uma exceção no meu silêncio patriótico: as notícias. Quando fui ver as novidades do mundo após o jogo do Brasil, eis que deparo toda a página repleta de comentários e fatos sobre a Copa, como se o único acontecimento importante fosse esse. Impossível não fazer a conexão com Bourdieu e seu "Sobre a Televisão", no qual ele fala sobre a prioridade que a grande mídia dá ao que não tem tanta relevância assim, nem causa polêmica, os chamados fatos-ônibus, que agregam todo mundo e ocupam o espaço do que realmente informa. Engraçado que bastava descer a barra de rolagem e encontrar notícias sobre o aumento da aposentadoria, sobre a Coréia do Norte ameaçando a ONU e o mundo e sobre o vazamento de petróleo nos EUA. Até onde imagino, qualquer um desses acontecimentos afetaria muito mais a vida de qualquer ser humano que o resultado de uma partida de futebol.
A diversão é fundamental, mas, se vira circo, começa a ser perigosa - e não é um perigo que beneficie a maioria.
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